sexta-feira, 10 de julho de 2009

Oficina gratuita de teatro no SENAC

Pelo quinto ano consecutivo, o Centro de Educação para o Trabalho e a Cidadania do Senac Rio promove sua tradicional Oficina de Talentos em Teatro. O programa objetiva a integração social através das artes cênicas e é voltado para pessoas com 16 anos ou mais, preferencialmente de baixa renda.A oficina começa no dia 22 de julho, com três encontros semanais: segundas, quartas e sextas, das 18h30 às 21h30. A duração é de cerca de seis meses. Para participar, o interessado deve se inscrever até o dia 13 de julho, das 8h às 21h, no Galpão de Trabalho e Cidadania do Senac Rio (Rua Emiliano Felipe, 173, Irajá). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 2473-8671.As aulas serão ministradas pelo ator e diretor Ribamar Ribeiro, formado pelo Senac Rio e pelo Centro de Estudo Artístico Experimental do Sesc Rio, sob coordenação de Ana Kfouri. Ribamar é formado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e é fundador do grupo Os Ciclomáticos Cia. de Teatro.O público-alvo da oficina são pessoas interessadas em artes cênicas. “É uma chance gratuita para quem deseja trabalhar na área de cultura. Ao longo desses cinco anos, mais de 300 pessoas foram formadas na Oficina de Talentos em Teatro. Muitas companhias foram criadas a partir do trabalho desenvolvido pelo Senac Rio”, explica o coordenador de projetos do Centro de Educação para o Trabalho e a Cidadania do Senac Rio, José Renato Neves.O grupo Círculo Teatral é uma das histórias de sucesso do Centro de Educação para o Trabalho e a Cidadania do Senac Rio. Após ganhar o concurso do Festival Nacional de Teatro Estudantil de Belo Horizonte, o grupo rodou o Brasil com longa temporada da peça “Pequenas Sagas Nordestinas”.
Oficina de Talentos em TeatroInício: 22 de julho (quarta-feira)Horário: segundas, quartas e sextas-feiras, das 18h30 às 21h30Duração: Cerca de seis meses (192 horas)Local: Galpão de Trabalho e Cidadania do Senac Rio (Rua Emiliano Felipe, 173, Irajá)Inscrições gratuitas, das 8h às 21h.Informações pelo telefone 2473-8671

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Onde estão os leprosos?

A cada dia eu fico mais preocupado. Quando Francisco morreu deixou um legado uma missão para aqueles que queriam seguí-lo. A continuidade dessa missão iniciava segundo o seu Testamento quando:

1- (...) o Senhor me concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como estivesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos.
2. E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles.
3. E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo. E depois disto demorei só bem pouco e abandonei o mundo.

Hoje ao nos olhar, aqueles que dizem que queriam enxergar o Cristo como ele, constato que abandonamos os leprosos. Não os leprosos literalmente, ou seja aquelas pessoas que foram acometidas pela Hanseníase, mas sim todos aqueles que são vistos como leprosos. Aqueles que precisam ser separados por muros, depositados em abrigos, leitos de instituições que cuidam de abandonados, aqueles que são obrigados a morar em palafitas e em lugares insalubres por que a sociedade os vê com diferentes, como seres que não merecem uma vida digna.

O ideal franciscano foi transformado em ideal filosófico. Isso é, falamos de uma fraternidade universal onde o meio ambiente, que é um ponto fundamental de nossa espiritualidade, passa a ser o ponto de partida. Melhor não seria amarmos aqueles que estão próximos de nós, porém excluídos de nossas vidas, precisando ser abraçados e ensinados.

Porque Francisco fala em primeiro lugar dos leprosos? É um fato fortuito? Ou será que ele quer chamar a atenção para a importância de viver entre os abandonados? Acredito que ele quis deixar uma pista. Objetivava nos chamar a atenção, para o fato, de que para seguir o seu ideário precisamos conviver com aqueles que foram renegados ao último plano. Mas porque nossas fraternidades insistem em não fazer isso? Porque não somos um sinal da presença de Deus entre os excluídos?

Essa reflexão deve ser aprofundada. Vejo muitos Símpósios e Congressos sobre o meio ambiente, vejo muitas imagens de Francisco com os animais, porém não vejo muitas imagens que retratem sua vida entre os leprosos. Precisamos refletir. Queremos seguir o Poverello ou queremos somente ser devocionais a sua figura, ficar lembrando os grandes feitos e os milagres daquele que não era teórico mais prático.

Lógico que esse ir entre os leprosos não pode ser um ativismo. Esse movimento deve ser um movimento evangélico. Assim como o faziam os primeiros irmãos menores. Cuidavam dos pobres, dos leprosos e falavam de Deus. Deus era a mola mestra dessa engrenagem. Cristo era o instrumento de transformação da vida das pessoas. Falar e demonstrar o amor que ele nos ensinou era fundamental

Tenho participado de muitos encontros em que os irmãos reclamam que as fraternidades estão vazias e sem motivação. Será que ao começarmos a fazer um trabalho com os pobres a nossa fraternidade não vai conquistar novas vocações. Pois foi assim que Francisco chamou a atenção dos irmãos na sociedade de sua época. Tanto que para o irmão ingressar em seu grupo precisava dar tudo que tinha aos pobres e viver entre os leprosos.

Por isso irmãos jufristas, iniciantes, formandos e outros tantos que desejam abraçar a vida franciscana secular, vejam que Francisco partiu de um sonho para a realidade. Ele não viveu sonhando o tempo todo. Foi a luta escutou o chamado e pôs-se a fazer algo. E segundo ele duas coisas são fundamentais para os Católicos Franciscanos, Primeiro ir ao encontro dos leprosos. Depois viver em fraternidade pois segundo o Pobre de Assis:

14. E depois que o Senhor me deu irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do santo Evangelho.

Jesus e o Serviço aos Irmãos.

Nossos afazeres e preocupações em muito nos atrapalham a enxergar e deixar nosso coração sentir o que para Jesus era o fundamental. Quantos de nós em nome de cumprir nossas palavras e promessas esquecemos de lutar pela justiça? Poderíamos mudar essa palavra lutar para viver a justiça. Deus nos quer vivendo o seu Projeto. Jesus viveu e amou a todos os que passaram à sua frente.
Voltando ao início, Temos sempre desculpas para não vivermos as nossas experiências de cristãos como devem ser. Cristo, várias vezes na Bíblia, nos chama a atenção para isso. Não vou aqui ficar lembrando referências e nem citando versículos da maneira formal como fazem. Contarei os causos, como diziam os antigos, da maneira como entendo. Nosso Mestre foi visitar Lázaro e suas irmãs Maria e Marta. Primeiro Ele deixa claro que nós devemos parar tudo para darmos atenção a Deus. Depois faço uma análise por outro prisma, Jesus Chegou cansado, precisando de um refrigério, de ser limpo, pois a estrada era de terra e a poeira era muita. Aí, então, o Nazareno esclarece que é mais importante consolar, abraçar, escutar e auxiliar, quem tem problemas está cansado e por vezes não tem força para continuar.
Mas nós insistimos. As pessoas passam a ser coisas. Não nos preocupamos com oque sentem se estão cansadas com calor se estão doentes. Final elas, para nós não fazem partes dos planos de Deus para a nossa vida. Somos individualistas. Tenho que tentar a minha salvação. Isso não passa pelo meu perder tempo consolando um outro ser humano.
Em outra passagem Jesus mostra aos apóstolos uma pobre viúva que dá tudo que tinha de oferta ao templo. Será que somos assim. Dou tudo que tenho? Atenção, amor, consolo e ajuda. E meus bens? Será que estão, realmente, a disposição da construção de um mundo mais cristão.
Sim! Um mundo Cristão. Se lermos os Evangelhos, veremos que um mundo mais cristão seria sem violência, sem pobreza, solidário, e repleto da paz do Senhor. Perdemos tempo com conchavos, tomadas de posição, irritações irrelevantes e esquecemos de abraçar o outro. Pensamos em pintar nosso lar, reformar nossa casa, varrer o chão, limpar o banheiro, porém esquecemos de oferecer ao irmão tudo o que ele precisa para ter o refrigério em um mundo frio e calculista que não se importa com o outro.