segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Estigmas: Sinais para a caminhada cristã franciscana


 “Francisco já tinha morrido para o mundo, mas Cristo estava vivo nele. As delícias do mundo eram uma cruz para ele, porque levava a cruz enraizada em seu coração. Por isso fulgiam exteriormente em sua carne os estigmas, cuja raiz tinha penetrado profundamente em seu coração”. (Tomás de Celano – Vida II, 211)
São muitas as palavras que podem ser escritas sobre este acontecimento na vida do Poverello de Assis. Deus em toda sua misericórdia procura sempre sinalizar às mulheres e aos homens das mais diversas épocas o caminho para sua libertação e a vivência do Amor que é o próprio Cristo. Em Assis no final do século XII nasceu um desses sinais vivos. Francisco em si foi o sinal de que os cristãos deveriam mudar a forma de como se relacionavam com o Criador na busca de sua Salvação. Principalmente os membros da estrutura da Igreja.
Os pobres que eram amados pelo Senhor sofriam privações, injustiças e eram considerados cidadãos de segunda classe. O trabalhador manual não tinha valor. As mulheres eram humilhadas e viviam sob a égide de um machismo patrocinado inclusive pela Igreja.
A sociedade precisava de sinais de que Deus estava contra uma sociedade que era opressora, injusta e preconceituosa. Começaram então a surgir grupos contestadores que não aceitam a situação. Alguns possuíam uma radicalidade exacerbada, ou eram visto desta forma pelos poderosos. Tanto que se tornaram hereges, segundo a visão dos prelados da Igreja.
Surge também Francisco. Que com sua própria vida excedeu no Amor. Fez mais que abraçar aos injustiçados, tornou-se um deles.  Levou ao pé da letra a vivência do Evangelho. Buscou sentir as dores e os sentimentos daqueles que eram, segundo o Sermão da Montanha, o próprio Cristo.
Em sua busca passou a ser denúncia viva do que estava sendo contrário aos ditames de Cristo. Sua radicalidade foi tão grande que nem seus companheiros conseguiam entender. Sinal de esperança e vida fraterna. Sinal de concretização do que o Senhor queria.
Por isso, como confirmação de tal amor ao Cristo, Deus lhe transformou em um sinal ainda maior. Deu-lhe a graça de levar em seu próprio corpo as feridas e dores de Jesus, ganhos e sentidos, no momento em que morria para a remissão dos pecados da humanidade.
Temos que ir além para analisa este acontecimento. Não se trata apenas de um milagre demonstrativo. Foi algo de uma profundidade inimaginável. Em um momento em que se buscava modificar as ideias inicias do Pai Seráfico. Temos que lembrar que teve que modificar sua Regra amenizando vários pontos de seu ideário, foi contestado por membros da Igreja e de sua Ordem. O Senhor confirma nele a coerência com o projeto da salvação.
Os estigmas tornaram-se um milagre que alçam o Santo a outro patamar. Mostram que o Senhor está realmente com ele. Deixa claro que não são as mudanças propostas que fizeram a diferença. A coerência que Francisco teve em sua caminhada é então comprovada. Teve tanto amor pelo Amor que foi lhe dado à possibilidade de segui-lo até em suas dores. O Poverello tornou-se então a demonstração do que seria o projeto que Cristo queria para nós. Paz e bem!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo Antônio e a vocação dos leigos



Santo Antônio e a vocação dos leigos


Antônio sempre se preocupou em orientar a postura dos membros da Igreja. Na sua opinião eram os sacerdotes ou o clero de modo geral eu tinham que influenciar ou orientar como deveria ser a voçação dos leigos, ou penitentes.
Na verdade todos nós deveríamos ter uma vida de penitentes ou seja, todos tínhamos vocação para isso.
O religioso escreveu uma obra que era composta de um sermão para cada domingo e algumas festas da Igreja. Naqueles que escreveu para as reflexões sobre a quaresma ele dá pistas de como deve ser vivida a vocação dos cristãos.
Primeiro ele inicia afirmando, assim como São Francisco em sua Regra, que os vocacionados devem ser católicos em sua plenitude. Isto é, devemos seguir as orientações e documentos atuais da Igreja e lançar luzes sobre todo o Magistério da Igreja. Não devemos nem viver o passado nem projetar nas práticas coisas que cremos que serão aprovadas no futuro.
Para esse discernimento seria fundamental momentos de oração e contemplação que nos fariam ficar mais próximos de Deus. Ou seja, o cuidado com nosso interior é fundamental para o fortalecimento de nossas vocações.
O Santo afirmava também que precisamos ser como Águias, que simbolizavam o Cristo. Tínhamos que a partir de nossa vocação morrer para o mundo e buscar o sol da salvação. Faz-se importante salientar que o franciscano utilizava muitos símbolos em sua pregação. Por isso, nas características de alguns animais que alguns livros de sua época traziam ele encontrava os exemplos e orientações que deveriam ser dadas aos membros da Igreja.
 

Em suas pregações da quaresma ele condena duramente a hipocrisia. Para isso usou duas aves: a avestruz e o pavão. Segundo ele, o avestruz não pode voar por causa de do tamanho de seu corpo, ou seja da hipocrisia. O seu corpo era o sinal do apego eu alguns tem pelas coisas terrenas e materiais. Apesar desse apego, muitos de nós como avestruzes, queremos passar uma imagem de falcão que voa a grandes alturas.
Quanto ao pavão são como aqueles que sendo vocacionados, usam sua vocação como um garoto propaganda. Assim como a ave armam suas penas em leque, mas infelizmente, usando as palavras do próprio Antônio, em tal atitude descobrem o próprio traseiro.
Para Santo Antônio os vocacionados devem ser desapegados. Não devem ofuscar sua vocação com as preocupações do mundo. Além disso, não devemos fazer de nossa vocação um espetáculo. E uma coisa deixa claro mesmo que eu venha a todas as missas, cumpra todos os sacramentos e rituais da Igreja, se não abandonarmos as preocupações terrenas e abraçarmos o etéreo de nada adianta a nossa vocação.
Irmãos, é óbvio que o santo denuncia os excessos de seu tempo. É lógico que ele quer chamar a atenção dos cristãos sobre o que estão fazendo com sua vocação.
Outra reflexão importante do frade é sobre a preocupação com a aparência exterior que muitos cristãos tem. Esta preocupação levava em sua época a exageros. Segundo sua relexão não são as vestes que azem um bom cristão. Não é a extravagância das vestes que torna a pessoa um bom vocacionado. Vemos isso até nos usos dos símbolos e outras coisas como adorno.
Como cristãos clérigos ou leigos não podemos, e nem devemos nos ornar como um pavão para mostrar o que não somos. Isso é hipocrisia.
Outro mal que ele cita é a ganância. Ela nos faz conquistar conforto e prazer que nos distanciam de Deus.  o ideal é a busca de uma vida simples e humilde. Desta forma não trazemos para nossa vida elementos concorrentes a mensagem de Deus.
A ganância nos faz entrar em contendas com nossos irmãos. Isso atrapalha nosso caminho vocacional. Quanto mais bens possuímos, mais temos que nos preocupar com contas, taxas, invasões, obras, e outras. Passamos a ocupar nossa vida com planejamentos e querelas supérfluas. Isso tudo nos distancia da verdadeira vocação.
Como bom filho de São Francisco, Santo Antonio deixa claro que o ter traz a sensação do poder. Quem tem posses e poder ocupa seu coração na manutenção deles. Afasta-se e não consegue discernir a própria vocação.



Quem consegue o poder torna-se soberbo. Segundo o frade o soberbo é desobediente. O poder afasta os homens de sua vocação. Aqueles que se sentem poderosos buscam prevalecer seu ponto de vista através de discussões, ou seja da força. Porém, aqueles que conseguem discernir sua vocação o fazem pelo exemplo de vida humilde e com a pobreza evangélica.
Homens e Mulheres, como Francisco e Clara de Assis, inicialmente leigos, viveram a humildade como ponto principal de suas vidas. Dessa forma convenceram a muitos que era necessário uma mudança de rota em suas vidas, a fim de conseguirem encaixar-se no Projeto de Deus.
Ser vocacionado não é ter um projeto de poder. O leigo que abraçou sua vocação, não pode ter no serviço que presta uma forma de se colocar acima dos irmãos e desobedecer ao magistério da Igreja.
Assim como abelhas deveriam produzir o mel. Deveriam exalar doçura. Deveriam ocupar-se com a messe do Senhor e não com picuinhas, planejamentos inúteis e coisas que não vão levar o mundo a abraçar Jesus.
Segundo Santo Antônio, se os fiéis aceitassem com humildade sua missão praticariam com mais facilidade as virtudes que deixam a Deus contentes. Como exemplo de abraço a sua vocação ele cita Maria. Ela doou-se gratuitamente, para que Cristo nascesse no coração dos fiéis.



Sendo assim, torna-se fundamental que assim como a vocação sacerdotal, a vocação laical seja uma vocação daqueles homens e mulheres, que em família ou não, estejam a serviço de um Cristo Pobre e Humilde que abandonou toda a possibilidade de poder e Glória para aliviar nossas dores.
Desta forma, os vocacionados deveriam cumprir, a tarefa de levar o Cristo de forma humilde, simples e desapegada aos irmãos e irmãs, através do serviço e não da criação de estruturas de poder.
A criação de estruturas e esferas de poder são coisas do mundo. Cristo não conquistou o coração das pessoas usando estas estruturas. Sua conquista veio através do fruto que exalava de sua postura simples e humilde. Esse fruto era o Amor.
Se nós como vocacionadas e vocacionados, assim como fez Santo Antônio, usarmos nosso serviço para exalar o Amor, que é o próprio Cristo, a nossa Vocação terá sentido. Se ao contrário a utilizarmos para perpetuação de nosso orgulho, soberba, vaidade e outros, jogamos fora o que de mais importante possuímos que é a possibilidade de sermos missionários de Deus em todos os lugares em que estivermos. Paz e bem!



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Xenofobia e racismo no Brasil

Os racistas preconceituosos saíram do armário! Negros, nordestinos e pobres se preparem o gueto está próximo! Agora, temos uma saída: continuar sonhando e acreditando que nossos filhos continuarão a ter oportunidades reais de crescer. Eles têm medo de nos encontrar, em em todos os lugares, e terem que pedir licença para entrar. 
Como pode por raiva dos homossexuais pessoas que estão no minha casa minha vida, no prouni, no universidade para todos, cotistas de universidade, utilizadores do FIES, votarem no Bolsonaro que é contra isso Tudo! São mártires! Se destroem para matar os Outros! Ou são egoístas, pois pouco se importam com que precisa do mesmo que eles depois. Pode acabar já usei! Quanta homofobia! Paz e Bem!

O capitalismo é algo divino?

Desculpe- me, mas é idiota demais o cara achar que o capitalismo ou o neoliberalismo são parceiros do cristianismo. Basta pensar nos milhões de irmãos que já morreram sendo explorados pelo capitalismo, principal ente nos países em desenvolvimento. Pensar que a escravidão, sempre esquecida pelos cristãos, foi responsável pelo tráfico de milhões de pessoas e a desestruturação das sociedades africanas. Sim, mas o capitalismo não é inimigo da Igreja! Principalmente, porque ele se locupleta com as instituições e faz do dinheiro o verdadeiro sentido da pregação e do trabalho de muitos homens de Deus. Enquanto tivermos o foco nas teorias e não no amor que Cristo tinha pelos menores, continuaremos a nos enganar, pensando que o diabo está em tudo que tenta destruir ou transformar o pensamento da sociedade e de tudo que há nela. Pois, o mais importante é o Abraço, o carinho e a justiça social e não penal. Se isso é marxismo eu não sei. Mas sei que Jesus pensava assim e não se preocupava institucionalmente. Paz e bem!

O bem se destrói!

Infelizmente o mal não tem escrúpulos. Por isso, se aliança, engole sapos em prol do que eles querem, o poder. Enquanto isso, as pessoas que acreditam na utopia, se dividem não conversam. Se acham mais puros que os outros. Suas atitudes e pensamentos são os melhores. Se puder criticar o outro utópico, de forma mais expressiva do que o reacionário, o faz. Mas, esquece que é melhor um utópico, para dialogar, que um reacionário. Por mais problemático que seja o utópico ele sempre tomará algumas atitudes progressistas. Agora e o reacionário. Você queria reforma política e outras que melhorassem ainda mais as nossas vidas, veja a composição do congresso e pense: será que vai conseguir?

segunda-feira, 18 de março de 2013

Quaresma, esperança e fé

A quaresma é um dos grandes momentos de nossa fé católica. Muitos de nós não comemos carne, fazemos diversos tipos de jejum e queremos copiar os momentos de reflexão que nosso Pai teve ao ir ao deserto, e ainda, lembrar os quarenta anos em que o Povo de Israel caminhou até a Terra Prometida. É o período em que nos sensibilizamos e pensamos de maneira mais intensa, o que Jesus passou nos momentos de prisão, julgamento, flagelo e crucifixão.Temos então a certeza de que o projeto de Deus, nosso Pai, foi colocado em prática através da vinda do Messias e a nossa redenção, através de seu sofrimento.

Porém, muitas pessoas viram, ficaram receosas e sentiram uma quaresma diferente esse ano. Em meu caminhar por várias grupos diferentes em minha vida cotidiana, pude ver católicos falando abertamente as mazelas de nossa Igreja, vi também ateus, protestantes, gnósticos, espíritas, muçulmanos e muitos outros tecendo comentários e discutindo o que a nossa religião deveria fazer.

Mas, como sempre acontece, nada está em nossas mãos. Foi uma quaresma diferente, onde, não de forma mágica, milagreira, como muitos irmãos apregoam por aí, pudemos sentir o soprar do Espírito Santo em nossa História. A renúncia do Papa Bento e todo esse processo de discussão em torno do que devemos ser, foi sem dúvida, fruto da mão interventora do advogado de Cristo sobre nós. Uma quaresma como essa deve ser inesquecível! Pois, ao final desse deserto, surgiu um Papa, do "fim do mundo", da periferia, dos subúrbios, de onde não se espera vir nada de bom, como a bíblia deixa claro quando trara Nazaré de um lugar que não pode vir nada de bom. 

Não quero aqui levantar discussões sobre temas polêmicos que devem ser revistos pela Igreja ou não. Simplesmente, deixo claro que ela é uma instituição particular, que deve seguir sua vida de modo particular. Creio também que não deve intervir na vida da sociedade de modo escuso nem com lobby, mas exercer sua cidadania colocando o que pensa, o que acredita, assim como todos os grupos buscam sua representatividade de forma natural. Pois, ninguém deve viver sobre a ditadura de ninguém.

Bem, voltando ao assunto principal. Além de ser uma Papa "suburbano", escolheu o nome de Francisco de Assis e afirmou que a Igreja deve estar do lado dos pobres. É importante entendermos isso de uma forma muito clara, pois durante séculos a Igreja negou a importância de Francisco como um real caminho para o catolicismo. Ele foi até modificado e é mais conhecido como o santo da Ecologia. Sem dúvida sua visão sobre a criação é muito singular, porém, quem lê seu Testamento e vê sua trajetória sabe que em sua praxis o estar com o pobre, o viver com o pobre é fundamental para se entender o que é a mensagem de Jesus.

Então, mais do que uma escolha de nome, nessa quaresma, nossa Igreja deve estar começando a rumar em caminhos nunca dantes navegados. O que nos pode trazer a esperança de que os excluídos,  descriminados e sem voz, vão poder falar mais alto dentro de nossos templos e em nossa vida eclesial. Que então nossa fé vai ser fortalecida, pois sentiremos mais de perto a presença de Jesus pobre, que não tinha onde reclinar a cabeça, e que deve ser a fonte de todas as nossas ações na Igreja.

A todos Paz e Bem!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Regra e Vida - Comentário II

Capítulo I - A Ordem Franciscana Secular (OFS)

2. No seio da dita família, ocupa posição específica a Ordem Franciscana Secular que se configura como uma união orgânica de todas as fraternidades católicas espalhadas pelo mundo e abertas a todos os grupos e fiéis. Nelas, os irmãos e as irmãs, impulsionados pelo Espírito a atingir a perfeição da caridade no próprio estado secular, são empenhados pela Profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante esta Regra confirmada pela Igreja’.


Somos uma grande família. Estamos no mundo todo. A pergunta é fazemos a diferença que deveríamos nesse mundo? Chegamos perto do que fizeram os penitentes, quando não portavam armas e fizeram um papa emitir um documento oficial desobrigando-os da proibição de lutar ou defender-se através de objetos de ataque? Não temos que fazer grandes coisas e chamar a atenção do mundo, mas precisamos ter posicionamentos firmes diante da falta de ética e o desordenamento social que vivemos. Francisco, como sabemos era firme. Santa Clara também o era. Firmeza não é perda de caridade e respeito. Não é perda deobediência. Firmeza é acreditar no Evangelho, que nos possibilita uma cruz para carregar e uma porta estreita para entrarmos. Sabemos que a profissão é o momento em que dizemos sim ao que aprendemos, sobre a Regra as Constituições e tudo o quanto nos é obrigatório saber.Porém deveria ser o momento em que afirmamos, a partir de uma leitura diária do Evagelho, o quanto ele é importante para a nossa vida e crescimento na fé.